ESTRELA DE DAVID


O Hexagrama, popularmente conhecido como Estrela de David ou Selo de Salomão, é um dos estudos mais profundos da simetria centralizada. Arqueologicamente, sua presença transcende o uso religioso, sendo encontrado em contextos decorativos e arquitetônicos na Índia, Mesopotâmia e Europa Medieval. O entrelaçamento de dois triângulos equiláteros simboliza, na arquitetura de mitos, a união das forças opostas que mantêm a estabilidade estrutural do universo.

A história da Estrela de David, tecnicamente denominada Hexagrama, é uma jornada que atravessa milênios e diversas civilizações antes de se tornar o símbolo central da identidade judaica que conhecemos hoje. No contexto da A Coisa, analisamos este artefato como um estudo de simetria central e arquitetura de mitos.

1. Origens Arqueológicas: O Hexagrama Universal

Embora hoje seja indissociável do Judaísmo, o hexagrama (uma estrela de seis pontas formada por dois triângulos equiláteros sobrepostos) é um dos símbolos mais antigos da humanidade.

Antiguidade: Aparece em contextos decorativos e arquitetônicos em civilizações tão diversas quanto a Índia (onde é o Shatkona, representando a união entre o masculino e o feminino), a Mesopotâmia e até na Grã-Bretanha da Idade do Bronze.

Geometria Sagrada: Para os antigos geômetras, o hexagrama era a representação visual da perfeição estrutural, pois pode ser inscrito perfeitamente dentro de um círculo e é a base da colmeia (o hexágono), simbolizando a eficiência máxima da natureza.

2. O Selo de Salomão e a Idade Média

Durante séculos, o símbolo foi conhecido no mundo esotérico e acadêmico como o Selo de Salomão.

Alquimia e Filosofia: Na Idade Média, o triângulo com a ponta para cima representava o Fogo e o triângulo com a ponta para baixo representava a Água. O hexagrama era, portanto, a síntese dos opostos — a harmonia entre elementos contraditórios.

Proteção Arquitetônica: Era comum encontrar o hexagrama esculpido em igrejas cristãs e mesquitas muçulmanas como um ornamento geométrico que evocava a sabedoria do Rei Salomão e a ordem divina sobre o caos.

3. A Transição para o Símbolo do Judaísmo

A associação exclusiva da estrela com o povo judeu é um fenômeno historicamente recente:

Praga (Século XIV): Em 1354, o Rei Carlos IV da Boêmia concedeu à comunidade judaica de Praga o direito de ter sua própria bandeira. Eles escolheram o hexagrama, que chamaram de Magen David (Escudo de David).

Século XIX em diante: Com o movimento de emancipação judaica na Europa, a Estrela de David foi adotada como um símbolo que poderia rivalizar visualmente com a Cruz cristã, tornando-se o ícone definitivo da identidade nacional e religiosa.

4. O Significado Simbólico Ancestral

Na arquitetura de mitos, o hexagrama de David representa a conexão entre dois mundos:

O triângulo superior aponta para o macrocosmo (o divino, o céu, o espiritual).

O triângulo inferior aponta para o microcosmo (o terreno, a biologia, a matéria).

O Centro: O espaço hexagonal no centro é o ponto de equilíbrio onde o homem se situa, integrando essas duas realidades.

O Artefato em Prata 925

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