SOBRE O MEU "HISTÓRIAS DA ARTE POLITICAMENTE INCORRETAS".

Deixando de lado a velha cartilha acadêmica - que até hoje é surreal - , a história da arte é, antes de mais nada, uma vasta história de paixões, recheadas com muita inveja, ódio, futilidades, traições, fofocas, rancores...
Enfim, a história da arte é um vasto mundo de boçalidades, permeado por uma meia dúzia de pingos de bondade, sinceridade, lealdade.
Coisa que, aliás, não poderia ser diferente, já que artistas são seres humanos, e seres humanos fazem parte de um projeto que, ao que tudo indica, parece que não deu muito certo.
É dentro dessa perspectiva, qual seja, a da realidade como ela é, que eu conto as minhas "Histórias da Arte Politicamente Incorretas", e elas têm feito sucesso.
Tempos atrás, eu contei a história do Maneirismo, um importante movimento artístico que ocorreu na Europa, mais ou menos na época em que o Brasil foi descoberto, e até hoje chegam e-mails de pessoas interessadas no tema.
Na verdade, o que mais siderou a plateia, digamos assim, foi a personalidade sombria dos três gênios que podem ser considerados como os grandes representantes do Maneirismo: Pontormo, Parmigianino e Rosso.
Aqui vai uma palinha da loucura de cada um desses caras, começando com Pontormo.
Com o passar do tempo, o medo de tudo e inclusive da morte tomou conta do artista, da cabeça aos pés, a ponto dele mandar construir uma casa extremamente alta para se isolar do mundo, cujo único acesso era uma escada retrátil, que Pontormo recolhia após chegar lá em cima.
Além de se isolar completamente e de se tornar hipocondríaco ao extremo, Pontormo também não era lá muito amável com os que iam visitá-lo: costumava urinar e jogar fezes em seus visitantes, detritos que estocava em baldes especialmente decorados e reservados para esse fim.
Quanto a Parmigianino, cuja aparência barbuda e cabeluda deve ter influenciado os hippies dos anos 60, o artista não pagava ninguém, era o rei do calote, e suas dívidas acabaram se tornando impagáveis.
A partir daí, completamente desnorteado, Parmigianino abandonou a pintura e decidiu tornar-se alquimista.
Durante muito tempo o artista tentou transformar chumbo em ouro para pagar as contas, sem sucesso algum: morreu completamente louco, coberto de dívidas e em andrajos.
Finalmente, Rosso, talvez o mais sinistro dos três.
Rosso morava com um macaco que, segundo o artista, já tinha sido seu amigo em vidas passadas. Mas o grande barato de Rosso era outro: apreciar matéria em decomposição, fetiche mórbido que o levava constantemente a desenterrar cadáveres, para sentir seu cheiro e apreciar-lhes a carne pútrida esfarelando ao vento.
Há quem afirme que às vezes Rosso provava dessa matéria acinzentada, como se fosse refinada iguaria.
Nas imagens abaixo: "Madona" de Parmigianino; a "Descida da Cruz", de Pontormo; e "Moises e as filhas de Getro", de Rosso.